A Grécia e os ministros das Finanças da zona euro chegaram a acordo esta sexta-feira para estender o empréstimo à Grécia por quatro meses, sem austeridade adicional.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira à noite pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem: a Grécia fica com mais quatro meses de financiamento assegurado, em vez dos seis propostos inicialmente por Atenas numa carta enviada aos ministros das Finanças dos diferentes países da Zona Euro. Ficou assim adiado para julho um novo processo negocial que permita um acordo com os parceiros europeus de mais longa duração.
O canal grego Skai TV avançou que a Alemanha, Portugal e Espanha foram os países mais complicados de convencer, além de que os países ibéricos tentaram bloquear um eventual acordo. Mas o acordo foi "total", afirmou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, em conferência de imprensa.
A Lista
O Governo de Tsipras vai apresentar, até segunda-feira, uma lista detalhada das reformas que pretende efetuar nos próximos meses. O Executivo grego compromete-se a não tomar nenhuma decisão unilateral - por exemplo, a subida do salário mínimo. Os outros países querem saber, por exemplo, quais as reformas estruturais no Estado, como será feito o combate à fraude fiscal e qual o custo das medidas pensadas para combater a crise humanitária que Atenas diz que a Grécia está a atravessar.
Um órgão de informação grego adiantou que os pontos que devem ser esclarecidos incluem as medidas a tomar para combater a fuga aos impostos, reformar a função pública e enfrentar a crise humanitária provocada pelas dificuldades económicas.
Na segunda à noite ou na terça-feira, as instituições europeias, incluindo o Fundo Monetário Internacional (FMI), irão analisar as propostas, com vista a concluir de forma bem sucedida o atual programa de assistência. Se for o caso, terão então lugar os procedimentos nacionais para oficializar a extensão da assistência. A lista será fechada no fim de abril.
Este acordo agora alcançado evita que a Grécia possa ficar sem dinheiro já no próximo mês e eventualmente sair da Zona Euro.
Os líderes pronunciaram-se
"A Grécia virou hoje uma página. Conseguimos evitar medidas recessivas", declarou o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, em conferência de imprensa.
"Este acordo é do interesse não só da Grécia e dos cidadãos gregos, mas também é do interesse da zona euro e dos cidadãos dos países do euro", disse em Bruxelas Pierre Moscovici, após a reunião do Eurogrupo.
"A Grécia está na zona euro e deve permanecer aí", frisou Hollande na conferência de imprensa conjunta após o encontro. Angela Merkel mostrou-se mais otimista relativamente aos progressos da Grécia, mas voltou a alertar para os riscos. "A situação ainda é difícil, por exemplo no mercado de trabalho. Mas já começam a ser visíveis os resultados e vamos continuar essa política", destacou a chanceler.
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