| Orgulha-te de quem és. |
O assunto virou moda e os
'"armários" abriram-se. O assunto passou e o preconceito continuou a
existir.
O meu braço direito treme
enquanto escrevo isto à mão. Suponho que seja a adrenalina de quem sente que
tem algo importante a dizer.
Estou aqui para falar de lésbicas,
gays, bissexuais e transsexuais (LGBT). Se é homofóbico, por favor,
não vá embora. Este artigo é especialmente para si.
Sou bissexual. É
difícil escrever isto assim quando sei que há pessoas da minha família a ler
este artigo. Pessoas que já ouvi discriminar LGBT's quando eu faço
parte desse grupo.
Repito: sou bissexual. Isto
significa que eu me posso apaixonar tanto por rapazes como por raparigas. É só
isto.
1º - Certo dia, estava eu a falar
com uma amiga, quando ela me disse não ter “nada contra gays, lésbicas...”,
imediatamente eu disse "sou bissexual", ao que ela respondeu:
"pois... pois isso é uma escolha tua, não tenho nada a ver com isso".
Juro que fiz um esforço para evitar rir. Percebi a boa intenção das palavras
dela, mas também deu para perceber o pequeno choque por causa da minha
revelação. Às vezes as coisas são mesmo boas e simples quando estão longe.
Continuámos amigas, mas é preciso esclarecer que amar não é uma escolha.
Ser bissexual não é uma escolha. Quem é que, com tanto preconceito
neste mundo, escolhe ser diferente?
2º - Ser-se LGB ou T não é estar-se
doente. Não da maneira que conhecemos as doenças se bem que o amor também tem
sintomas e parece deixar as pessoas mesmo doentes. Mas, a sério, não é algo que
se resolva indo à igreja (Sugestão: ouçam a linda música de Hozier -Take Me To Church e reparem na tradução da letra)
3º - Estar dentro ou "sair do
armário" é complicado. Lembro-me de andar a olhar para raparigas e para
mulheres para tentar perceber se era capaz de me apaixonar por elas. Lembro-me
de ter tirado uma hora ou duas exclusivamente para isso. Não saber era como
sentir uma certa falta de identidade.
“Sair do armário"
foi complicado porque eu mesma tinha preconceitos sobre mim própria! Eu
descobri ser bissexual quando me apaixonei por aquela que
viria a ser a minha primeira namorada. Saber-me apaixonada e estar com ela pela
primeira vez foi uma mistura de emoções. Primeiro, por causa da timidez que
sentia pela descoberta, depois, lá está, pelo meu próprio preconceito! Ninguém
imagina a minha cara quando ela me beijou (ela não esqueceu mas eu nunca lhe
expliquei porquê. Agora já deve saber...), mas para mim esse foi um enorme
passo para a felicidade (sim, o namoro acabou, mas fui feliz e sou feliz
sabendo quem sou e tendo-me ultrapassado).
"Sair do
armário" é como entrar num quarto escuro e desconhecido. Vai-se com cuidado
e um som qualquer deixa-nos em estado de alerta. Imagine entrar numa sala
escura, desconhecida, e, ainda por cima, com um magote de inimigos seus à sua
volta. Ia sentir-se confortável? Os seus inimigos iriam fazê-lo
sentir-se o mais confortável possível? Nem pensar. Mas é isso mesmo o que se
sente quando se "sai do armário" hoje em dia. Felizmente há quem dê a
mão e quem dê força.
40
- Não metam Deus neste assunto. A
sério. Não acham que Deus já é desculpa mais do que suficiente para as guerras
feitas de hoje em dia?! Digo-vos que fui batizada, fiz a Profissão de
Fé e a Crisma. Também posso pegar numa Bíblia, comer alho, e apanhar sol que nada
de mal me acontece. Para mim, Deus é um símbolo de AMOR e eu fico simplesmente
feliz por saber amar da maneira que sei.
5º - "Ensinaram-me a não gostar
dessas pessoas..." Isso tem uma solução simples: crie a sua própria
opinião, não deixe de ver as coisas com os seus próprios olhos.
6º - Neste ponto vou falar
exclusivamente de Transsexuais. Vou imaginar que o leitor é uma mulher
(porque é o que eu sou. Ohhh que egoísta da minha parte) e vou pôr a
questão da seguinte maneira: sou uma mulher. Gostava de ter os cabelos
compridos, de os pintar de rosa. Gostava de pintar as unhas de verde, azul e
laranja. Gostava que os meus pêlos não me crescessem no peito e de
não acordar com uma enorme e dura ereção pela manhã. O problema é que
sou uma mulher que nasceu no corpo de um homem e, portanto, aquilo que eu
gostava que acontecesse não é possível. Isto é uma situação hipotética, mas se fosse
verdade eu quereria mudar de corpo E não há nada de errado nisso. Errado seria
ficar aprisionada num corpo que não deveria ser o meu. Esta é uma questão
simples, apesar de haver pessoas como Vladimir Putin… (ver artigo aqui)
7º - O preconceito não ajuda
ninguém. E mata.
Sabe que mais? Eu decidi
não rebaixar a cabeça por ser quem sou. Acho que não tenho que ter vergonha.
Sou muito mais feliz a amar do que um homofóbico a odiar.
Por Pê
(pseudónimo do novo colaborador do blogue)
Para divulgar pelos amigos. Muito obrigado por este artigo!
ResponderEliminar