Por Marco Vaza (publicado aqui)
Aos 29 anos, Cristiano Ronaldo já pode
ser considerado um dos melhores de sempre, mas é, sobretudo, o protagonista de
uma história excepcional, de alguém que saiu da pobreza para o topo do mundo e
não deixou os seus para trás.
Aos 29 anos, Cristiano Ronaldo é um homem com uma
estátua e um museu, ambos na ilha da Madeira, a sua terra natal. Para além de
todos os outros prémios que conquistou, das distinções e homenagens, dos
títulos, dos recordes, das riquezas materiais, da admiração global. Uma estátua
(que foi da iniciativa do Jornal da Madeira, mas que acabaria por
ser paga pela família de Ronaldo) e um museu são quase sempre testemunhos para
celebrar obra e carreira (…). “Se querem fazer homenagens, façam-nas enquanto
as pessoas estão vivas”, dizia Ronaldo no Funchal há cerca de três semanas,
quando o mundo viu a sua estátua na sua terra natal e que o próprio Ronaldo
disse que era mais bonita do que ele. Este monumento de bronze (sem bola) a
imitar a sua pose antes de marcar um livre ainda apanha Ronaldo bem longe de
ter dado por terminada a sua obra.
Cristiano Ronaldo, o melhor jogador de
futebol da actualidade, ainda terá muitos anos para enriquecer o espólio do
museu. (…) As outras Bolas de Ouro que conquistou, em 2008 e 2013, estão no
museu, juntamente com as Botas de Ouro e os outros troféus e recordações.
A história do menino que nasceu em Santo
António, uma zona pobre da ilha da Madeira, é excepcional. De menino pobre fez-se homem rico e cumpriu o primeiro objectivo
que definiu muito antes de ser jogador de futebol e que formulou para consolar
uma mãe chorosa quando tinha seis anos. “A
mãe que não chore. Quando for grande, vou ganhar bastante dinheiro. Vou
comprar uma casa e tirar a mãe do trabalho”, contou recentemente a mãe Dolores
numa entrevista à Revista 2 (edição de 21 de Dezembro). Objectivo
mais que cumprido, portanto. Tem tudo o que podia desejar enquanto jogador de
futebol. É amado e odiado. Odiado talvez não seja bem a palavra. Inveja será
mais adequado. “Assobiam-me porque sou rico, bonito e um grande jogador de
futebol”, disse em tempos. (…)
Para além da selecção de Portugal,
Cristiano Ronaldo conheceu cinco equipas em toda a sua vida: o Clube Futebol
Andorinha, o Clube Desportivo Nacional, o Sporting Clube de Portugal, o
Manchester United Football Club e o Real Madrid Club de Fútbol. Cada um destes clubes teve um Ronaldo
diferente. O Andorinha de Santo António teve o Ronaldo criança que só
queria jogar à bola; o Nacional teve o Ronaldo promessa juvenil que começou a
despertar atenção; o Sporting teve o Ronaldo que aprendeu a viver sozinho e que
já marcava golos quando ainda tinha acne; o Manchester United teve o Ronaldo a
afirmar-se como “estrela” internacional; o Real Madrid tem o Ronaldo
“galáctico”, para usar um termo tão caro ao clube “merengue”. Mas todas as
histórias têm um início. Vamos começar pelo Andorinha.
Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro nasceu
a 5 de Fevereiro de 1985 na freguesia de Santo António, filho de José Dinis e
Maria Dolores, o mais novo dos quatro filhos do casal. Antes dele tinham
chegado Elma, Cátia e Hugo. O segundo nome próprio veio de um actor que acabou
em Presidente dos Estados Unidos da América, Ronald Reagan — e que era o
Presidente em exercício em 1985. Dinis era jardineiro municipal, Maria Dolores
era cozinheira. A vida era difícil em Santo António, a maior freguesia do
Funchal. Ronaldo e os irmãos eram mais uma geração que crescia ali.
Antes deles, Dinis e Maria Dolores também
tinham enfrentado a pobreza naquele bairro da Quinta do Falcão, um casal que se
juntara pela proximidade das suas casas. Conhece-se o contexto familiar inicial
de Ronaldo sobretudo pelo livro de memórias de Maria Dolores, Mãe
Coragem, onde ela conta que perdeu a mãe aos seis anos, que o pai a enviou
para um orfanato e que se dava mal com a madrasta. Mas não deixava de procurar
a felicidade e casou-se com um rapaz que vivia ao seu lado, que a teve de
abandonar quando a filha mais velha tinha um ano e o segundo filho estava para
nascer — como tantos portugueses, Dinis foi para a guerra colonial, em Angola.
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