Edição Jornal “A Cabra” Especial Eleições 2014
Estudantes
Apontam Graves Falhas À UC
Os estudantes da
Universidade de Coimbra (UC) denunciam os problemas das faculdades ao nível
curricular, das infraestruturas e dos serviços de acção social. Todos os
problemas terão que ser enfrentados pela nova Direção-Geral da Associação
Académica de Coimbra (DG/AAC), bem como pelos núcleos a ela associados. Por Guilherme Monteiro e Cláudia Pereira
Os núcleos,
representantes dos estudantes da Universidade de Coimbra (UC), confessam-se
preocupados com os problemas resultantes dos “constrangimentos financeiros”,
como refere Alexandre Amado, Presidente do Núcleo de Estudantes de Direito
(NED).
A “falta de espaço” e
“salas pequenas”, denunciada pelo Presidente do NED e pelo Núcleo de Estudantes
do Departamento de Física (NEDEF), é confirmada por Nuno Teixeira, aluno da
Faculdade de Direito (FDUC), que acredita que “se todos os alunos da FDUC
decidissem ir às aulas não cabiam”. Também Susana Mendes, aluna da Faculdade de
Ciência e Tecnologia (FCTUC), defende que “a aceitação de Bioquímica no
Departamento de Antropologia” conduziu a que os colegas “se sentassem nas
janelas ou no chão ou até mesmo faltassem às aulas”, sendo que os três cursos
pertencentes ao Departamento de Ciências da Vida (DCV) ficaram “sobrelotados”.
Da área do desporto,
surge António Figueiredo, Diretor da Faculdade de Ciências do Desporto e
Educação Física (FCDEF) a defender que “toda a comunidade se tem queixado de
problemas cuja procura da solução está a ser encontrada pelo senhor Reitor”.
Admite que a faculdade “não está perto das condições que idealizamos”, sendo
necessário “requalificação de espaços” ou ocupar “instalações da Escola Silva
Gaio que tem tido alguma depressão em termo de estudantes”.
Mais preocupante é o
alerta deixado por uma estudante do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM),
onde diz haver “uma parede a cair e um tronco a segurá-la”. Embora
compreensivos, os Núcleos contam que se têm “mantido em contacto” com as direções
das faculdades, como informa a Presidente do NEFLUC, realizando “esforços para
melhorar alguns espaços”. A Biblioteca Central da FLUC, tal como demonstrado
pela Presidente do Núcleo, foi um exemplo de tal situação.
Já Lara Mendes,
coordenadora do Departamento de Direitos Humanos e Paz do Núcleo de Estudantes
de Medicina (NEM), reconhece a queixa dos alunos relativamente à “falta de
bibliotecas em geral”, visto que “na biblioteca do Pólo III, na época alta de
frequências, é difícil arranjar um lugar” pois as pessoas “têm de se levantar
muito cedo”.
José Bernardes, diretor
da Biblioteca Geral (BG) ressalva, porém, o “apoio dos estudantes” que “tem
permitido aumentar o horário de abertura”, declarando o seu “desejo de poder
vir a abrir a BG a um sábado, que é o único dia a que a mesma não funciona”.
Do lado da reitoria,
Amílcar Falcão, vice-reitor com a pasta das bibliotecas, justifica a situação
de algumas bibliotecas encerradas, como por exemplo a de Zoologia no
Departamento de Ciências da Vida com a probabilidade de “poderem estar em
obras, reafirmando que, apesar das dificuldades têm “mantido as bibliotecas
abertas até mais tarde nas épocas de exames”.
Cantinas
insuficientes
“Insatisfeitos com a
qualidade das cantinas”, como informa a Presidência do NDEF, os núcleos
encontram-se a “preparar as respostas para estes problemas”. No Pólo I existem
“quatro cantinas para 15 mil estudantes”, provocando “filas intermináveis”,
“atrasos” e “prejuízo na frequência das aulas”, denuncia uma estudante da
FCTUC.
Confrontada com este
problema, a administradora dos Serviços de Ação Social da Universidade de
Coimbra (SASUC), Regina Bento, assume a existência de uma “grande afluência”,
mas “não se prevê mais nenhuma cantina”. Explica, ainda assim, que “têm
arranjado alternativas”, como a “casa da informática que é explorada pelos
SASUC”, assim como “o fornecimento da refeição social nos bares dos
departamentos”.
Descentralização
dos Serviços
Também ao nível dos
serviços académicos, a falta de resposta dos serviços é apontada como uma grave
falha da UC. A solução passa pela “descentralização dos Serviços Académicos, da
Secretaria-Geral para a Secretaria da própria FLUC”, defende a presidente do
NEFLUC. A Vice-Presidente do NEF afirma que devido à “falta de recursos
humanos” as questões dos serviços académicos são “resolvidas de forma
indecente”.
Desorganização
curricular
Ao nível da pedagogia,
a “sobreposição dos horários” é uma causa de “insucesso a cadeiras
fundamentais, segundo a opinião de Ana Lúcia, estudante da FLUC”. A resposta
dos Serviços Académicos a este cenário é considerada pelo Presidente do NEFLUC
como “fraca” e “lenta”, sem apresentar soluções, arrastando as situações, em
alguns casos, “até meio do semestre”.
António Gomes Martins,
membro do Conselho Geral, órgão máximo de decisão na UC, informa que “há muitos
anos que procuram que tal problema não aconteça”. A sobreposição de horários
tem sido resolvida através do inquérito que os estudantes e professores efetuam
no final de cada semestre. Com os dados recolhidos existe a “probabilidade por
parte do coordenador de curso de distribuir trabalho por outros professores”.
No entanto, não podem “evitar no caso de estudantes com disciplinas que não
fizeram em anos anteriores”, justifica o Conselheiro Geral.
A partir do próximo
ano, com a entrada em vigor da “nova estrutura da malha curricular da FLUC”, a
Presidente da NEFLUC, espera resolver a “falta de comunicação entre
professores, que motiva a matéria repetida em aulas e cadeiras diferentes”.
Segundo André
Carvalheira, Presidente do Núcleo de Estudantes do Departamento de Física
(NEDF), na FCTUC, haverá igualmente uma avaliação das “matérias curriculares,
em dezembro, existindo problemas já resolvidos”. Perante tal apreciação em
curso confessa “não poder apresentar propostas” durante o período de avaliação.
Alexandre Amado,
Presidente do NED, defende que “as várias áreas curriculares sejam creditadas
de forma diferente”, dado que “a relevância prática das cadeiras não é
equivalente” no plano curricular. Existe também o problema da “falta de
professores que, na época de exames, não conseguem disponibilizar um modelo de
avaliação contínua, impulsionado pelo Processo de Bolonha”, denuncia o
Presidente do NED. Para António Gomes Martins, este processo trouxe a
“diminuição de qualidade” e um “alívio dos critérios de avaliação”.
O formato de avaliação
tem suscitado polémica entre estudantes por “não terem poder de escolha na
avaliação final”, segundo avança uma aluna da FLUC. O Conselheiro Geral
considera mais interessante ao acompanhamento do estudo a avaliação contínua.
António Gomes Martins ressalva, no entanto, que neste regime de avaliação
“fazem-se trabalhos ao longo do semestre que motiva, por vezes, que os alunos
faltem a outras cadeiras por falta de tempo”.
Bolsa
entregues até dezembro
Regina Bento,
administradora dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC),
afirma que, perante os problemas levantados pelos alunos relativos ao tempo de
divulgação do resultado das bolsas, a “análise dos processos está a decorrer
com toda a normalidade” e garante que “até ao final de dezembro têm tudo
despachado”.
Já ao comentar a taxa
implementada nos Serviços Médicos dos SASUC, Regina Bento justifica-a com “uma
questão de sustentabilidade dos serviços de saúde”, sem deixar de referir a
salvaguarda “aos alunos bolseiros”, que estão isentos de pagamento.
Relativamente à controversa questão das propinas, o membro do Conselho Geral,
António Martins, garante que se deve “lutar contra a existência de propinas”.
Em altura eleitoral, os
Núcleos consideram a sua relação com a DG como “constante e harmoniosa”,
salienta a Presidente do NEFLUC, num ambiente de “convite mútuo para as
atividades”. A presidente do NEF indica que a comunicação com a DG decorre em
encontros recorrentes. Apenas o NEM, apesar de destacar a “boa relação
profissional”, se recusou a comentar a relação existente com a atual DG, por
estar a decorrer o processo eleitoral.
Da parte dos
estudantes, contudo, ficou claro o distanciamento em relação à DG, que
consideram existir “culpa de ambas as partes” para tal afastamento. A
“reaproximação só ocorre em época de eleições”, confessa uma aluna da FLUC.
Artigo publicado
no jornal impresso “A Cabra” Nº267 – Edição Especial, 20 de novembro de 2014,
página 13.
Na mesma Edição, páginas 4 a 7 encontram-se duas
entrevistas realizadas por mim e pela editora Rafaela Carvalho.
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