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Coronavírus - fim de 50 jornais e a crise no setor da comunicação social



A crise económica que já se começa a fazer sentir em Portugal está a afetar (ainda mais) os meios de comunicação social. Num momento de exceção como o que vivemos, o escrutínio democrático é essencial e o jornalismo é um contributo ativo no cumprimento desse papel.

Se Portugal se encontra no 7.º lugar na Democracia ao nível mundial, isso deve-se em parte ao jornalismo. 

Os portugueses estão a ler mais notícias nesta temporada: o jornal online Observador duplicou em março a audiência com 40 milhões de visitas e a Rádio Observador duplicou os resultados dos meses anteriores, com mais de 2.1 milhões de descargas de podcasts por 1.2 milhões de ouvintes e 182 mil ouvintes online em direto; o Diário de Notícias a registou 32 milhões de leitores, um aumento em 59%; a edição semanal e o site do Jornal Económico (JE) atingiram recordes de audiência em março, "o site do JE registou um total de 11 milhões de visitas e a versão digital da edição semanal conta com 20 mil leitores por semana".

Com profissionais de informação a trabalhar diariamente, o setor dispôs conteúdos gratuitamente ao público. Depressa o público se habituou a abrir páginas de internet e, de forma gratuita, aceder a informação. Mas os jornalistas e profissionais que trabalham no setor dos media não podem viver do ar e, agora, fazem-se sentir os efeitos da crise pandémica também no setor. Se os media já estavam “ligados ao ventilador” antes do Coronavírus se instalar no país, agora, com o avançar do tempo e das medidas de contingência, instalou-se o estado clínico grave no setor. 

Prémio Internacional Harambee "Comunicar África"


8º. PRÉMIO INTERNACIONAL HARAMBEE COMUNICAR ÁFRICA

Prémio de Comunicação que pretende incentivar a produção de uma informação mais precisa sobre África, alargando o olhar para o lado positivo, empreendedor e desconhecido desse continente e das suas gentes.

Conteúdos patrocinados camuflados



Prefiro não dizer nomes, mas que os há…ai, se há.
Órgãos de comunicação social que não explicitam a real motivação dos conteúdos publicados.

Conteúdos em vídeo, áudio ou texto que parecem mesmo mesmo só informação, mas que no fundo (às vezes não muito escondidos) são peças/publicações pagas por entidades exteriores e, por isso, influenciadas.

Não, não estou a dizer que todas as peças pagas são publicidade a produtos/organizações. Quero sobretudo alertar para a existência de publicidade em diferentes formatos e que demasiadas vezes não tem nem uma discreta identificação de “conteúdo comercial”, indo por isso contra o próprio Código da Publicidade. Podem aparecer em blogues ou noutras plataformas digitais, mas se aparecerem em órgãos de comunicação social violam o Estatuto do Jornalista português.

Esquecem-se os dirigentes desses órgãos informativos que o povo – onde me incluo – nem sempre tem capacidade para decifrar a real intenção dos conteúdos que, mais do que informar, visam influenciar a compra de produtos ou sobretudo a maior identificação ou aproximação do público às organizações/produtos referidos nas peças. Andamos nós a ler/ouvir/ver conteúdos publicitários sem sequer questionarmos. E é aqui, neste parágrafo, que vemos dois erros: o dos órgãos de comunicação social que não identificam conteúdos patrocinados e o “lapso de formação” do público consumidor para o questionamento do que vê/lê/ouve.

Eu sou um caso à parte. Quando um familiar meu me apresenta alguém, faz logo questão de dizer “ela (ou seja, eu) é de jornalismo”, porque, diz o meu familiar, eu faço muitas perguntas. Na verdade, a capacidade de interrogar e duvidar deveria fazer parte de todos. A minha capacidade despertou com a universidade, ou seja, com a educação, daí defender a necessidade de formação para os meios de comunicação social dirigida a todos os públicos.

Ao me confrontar com informações, questiono, indago: porquê? Como? Como assim? Então mas não explicam? Faço muitas perguntas porque fui educada pela escola para isso. Apesar de, muitas vezes, a sociedade preferir que se façam menos perguntas.

Porém, não é suposto que só quem estuda num curso específico como Ciências da Comunicação tenha esta vontade de não aceitar todos os factos à primeira, sem questionar. Esta TEM DE SER PARA TODAS AS PESSOAS. É uma obrigatoriedade da escola formar-nos para sermos mentes questionadoras, até porque:
·       a maioria dos pais já não teve essa formação para os media, logo não a irá transmitir;
·       de nada vale à sociedade formar apenas robots e pessoas que apenas sabem coisas de cor;
·       uma parte dos estudantes não ingressa na universidade, não devendo ser por isso necessário esperar que só a academia forme os cidadãos para o mundo futuro, recheado de desafios que põem à prova a nossa capacidade de argumentar, questionar, fazer diferente e sermos criativos.

Por tudo isto, é na escola e para todas as idades que se tem de dotar os cidadãos com capacidades de questionamento, visões críticas e também de literacia mediática. Isto se queremos um público + consciente e + capaz de lidar com as decisões políticas, económicas, etc. com que somos confrontados Todos Os Dias. Todos.



"A informação quer ser livre mas a verdade é que há sempre alguém a querer controlá-la"



A frase não é minha, nem consigo reencontrar o autor que a disse, mas faz todo o sentido no contexto atual.
A informação presente em todo o lado — meios de comunicação social, na rua, nos dispositivos móveis, etc — é sempre algo tão poderoso que políticos, cidadãos comuns, todos nós acabamos por querer difundi-la, alterá-la, controlá-la. Mas será que a controlamos? Há quem controle a nossa informação e nós controlamos a dos outros?

Procuram-se leitores do Diário de Coimbra e/ou Diário As Beiras




Peço 3 minutos do vosso precioso tempo para responderem a um breve questionário online sobre os jornais Diário de Coimbra e Diário As Beiras.



Este é um dos métodos que vou utilizar na minha dissertação de mestrado, com o objetivo de saber a vossa opinião sobre esses dois principais jornais regionais sediados em Coimbra.

Conto convosco?
Caso possam partilhar fico-vos ainda mais grata! Obrigada!




Arrependimento de estudar Jornalismo e Comunicação

Foto por Justin Luebke

Há 3 anos, dei o meu testemunho sobre a forma como escolhi o curso e a universidade. Há 4 anos, entrei na minha primeira opção: a licenciatura em Jornalismo e Comunicação na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Hoje, pretendo fazer uma espécie de balanço do que tem sido cursar nesta área, explicar-vos afinal em que consiste o curso e o que é isso do Jornalismo e da Comunicação. Isto de forma beem simples (uma das coisas que vão perceber na faculdade é que dá para complexificar TUDO, até uma simples definição do que é uma cama pode ser tão difícil e haver tantas opiniões que não se chega a uma definição única).

Quando entrei para o curso, apenas se chamava licenciatura em Jornalismo, mas depois de uma reforma que houve na Universidade de Coimbra, passou a ter o nome de Jornalismo e Comunicação. Em termos de unidades curriculares, o curso oferece sobretudo aquelas ligadas ao jornalismo (escrito, de rádio, televisivo, multimédia) e outras ligadas à área da comunicação estratégica das organizações. (Se não souberes a diferença entre jornalismo e comunicação, aconselho este artigo.)


Diferença entre Jornalismo, Comunicação e Comunicação Social

Há 3 anos, dei o meu testemunho sobre a forma como escolhi o curso e a universidade. Há 4 anos, entrei na minha primeira opção: a licenciatura em Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Este curso passou a chamar-se Jornalismo e Comunicação, mas há outros, com nomes similares e, na hora da escolha, isso pode dificultar. Por isso, e antes de vos dizer se estou ou não arrependida do curso (direi num próximo post), vou começar pelas definições de jornalismo, comunicação e comunicação social.



Jornalismo é uma área que engloba jornais, rádio, televisão e digital (multimédia). Um jornalista tem atualmente de ter conhecimentos em diversas áreas e de diversas plataformas: por um lado, tem de perceber (ou pelo menos deve estar a par da atualidade) de economia, desporto, cultura..., mas também deve saber produzir conteúdos para diferentes formatos (escrever bem, saber filmar e editar vídeos, criar gráficos ou infográficos, saber fotografar, gerir redes socias de forma eficiente...).
Qualquer pessoa pode ser jornalista e não é preciso curso superior para exercer a profissão, embora eu seja da opinião que o curso permite alargar horizontes, preparar para o mercado de trabalho e dar lições (por exemplo de ética) que vão ser seguramente muito úteis no futuro profissional.
O jornalismo é normalmente visto como a informação séria e deve de facto sê-lo: rigorosa, contrastada, que procura a verdade. Mas apesar dessa base comum, nem todas as publicações são iguais e, apesar de serem tão diferentes nos formatos e conteúdos, as revistas cor-de-rosa (a Maria e afins), os jornais como o Expresso ou revistas como a Sábado e a Visão enquadram-se na definição de jornalismo.



Comunicação é uma área vastíssima. Nas instituições de ensino superior, irão encontrar dentro desta área nomes como relações públicas, comunicação organizacional/empresarial, publicidade, marketing, assessoria, que se referem à gestão estratégica imprescindível em qualquer instituição (empresas, organismos públicos ou entidades sem fins lucrativos, ou seja, às organizações em geral) ou a pessoas em particular (o caso de assessores de políticos). Pode-se dizer que o objetivo da comunicação é melhorar os resultados da empresa, em termos económicos, de reputação, alcance...
Nesta área podemos encontrar também cursos especificamente vocacionados à comunicação com o público ou direcionados à gestão do online (de blogues, redes sociais, etc).
Se ainda tens dúvidas sobre as funções dos profissionais desta área, aconselho o artigo da Uniarea: "À conversa com um aluno de Relações Públicas e Comunicação Empresarial".



A diferença entre os cursos de Comunicação Social e os de Jornalismo é que os primeiros englobam o entretenimento e o jornalismo; o jornalismo é apenas a "informação pura e dura", como se costuma dizer.




É essencial saber o que se quer depois do curso. Que profissão queres seguir? Onde? O que te vês a fazer durante 10 anos? E 20?



A melhor forma de escolher a opção correta é escolhendo aquela que melhor se adequa aos nossos objetivos profissionais: se quero seguir investigação, vale a pena investir num curso focado em teoria e em metodologias de investigação, artigos científicos, etc; por outro lado, se pretendo ser jornalista num órgão de comunicação social, provavelmente compensa-me um curso que alie a teoria à prática e ofereça a possibilidade de estágios (de verão, extracurriculares ou até estágios integrados).



A escolha é tua.




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Foto por Kevin Bhagat


Trabalhos para estudantes da Universidade de Coimbra

Trabalhar enquanto se tira um curso pode ter várias motivações. Eu procuro sempre conciliar trabalho e aulas. As vantagens podem ser muitas mas se não houver organização pode ser simplesmente um estrago.
É cada vez mais importante terem no currículo que fizeram voluntariado, estagiaram numa empresa, ou que se esforçaram por aprender alem da sala de aula. A remuneração em dinheiro não é tudo, aliás não é quase nada quando há a oportunidade de crescer, aprender, de nos enriquecermos com cada experiência e com a possibilidade de ouvir outras pessoas.
Tirar um curso é cada vez mais comum e vocês têm de se destacar das muitas pessoas que procuram o mesmo emprego que vocês. Na universidade e arredores há inúmeras ofertas de empregos/estágios/voluntariados. Eu vou dar o caso da Universidade de Coimbra porque é a que conheço melhor, mas todas as instituições de ensino superior te podem oferecer estas oportunidades, por isso agarra-as!

Coimbra acolhe Jogos Europeus Universitários



O maior evento multidesportivo alguma vez realizado em Portugal vai ter lugar em Coimbra, de 15 a 28 de julho de 2018. Realizado a cada dois anos, os EUG2018 - Jogos Europeus Universitários 2018 vai reunir em Coimbra estudantes de 350 universidades europeias.

Envolve mais de 4000 atletas de 40 países a competir em 13 modalidades (masculino e feminino) diferentes: andebol, badminton, basquetebol, canoagem, futebol, futsal, judo, ténis, ténis de mesa/ténis de mesa adaptado, remo, râguebi e voleibol.

Para além dos atletas, irão participar mais de 1000 voluntários, 500 treinadores e dirigentes e 300 árbitros.

quarta edição dos EUG é inovadora: pela primeira vez a canoagem entra na competição; os atletas com deficiência podem participar nos EUG 2018 na modalidade de ténis de mesa adaptado.
Coimbra recebe a quarta edição dos EUG, depois de se terem realizado pela primeira vez em Córdoba (Espanha) em 2012, seguindo-se Roterdão (Holanda) em 2014 e Zagreb (Croácia) em 2016. Sendo Coimbra a cidade mais pequena onde alguma vez se realizaram os EUG, as questões de maior dificuldade são ao nível do alojamento e transportes. Mas ao contrário das restantes cidades Coimbra é, nas palavras de Alexandre Amado, Presidente da Associação Académica de Coimbra (AAC), a cidade "que tem uma dimensão universitária única".

A Comissão de Supervisão da EUSA (Associação Europeia de Desporto Universitário) é a entidade máxima responsável pelos Jogos Europeus Universitários.

Mais informações

Nas Gavetas Escondidos #42


Ando muitas vezes à procura da história que não me deixe sair dela antes de acabar de a ler. Pesquiso a qualidade. Procuramos os melhores vídeos, os melhores filmes, o melhor Jornalismo.
O site divergente.pt é excelente ao nível de jornalismo multimédia. Sabe apresentar os conteúdos com a duração certa, procuram as melhores estórias e aquelas que poucos conhecem. Têm aquilo que falta ao jornalismo de hoje: tempo. Conseguem investigar, explicar, produzir conteúdos com qualidade, aprofundar.
Por tudo isto, merece uma atenção especial, a vossa.

A aspirante a médica que escreveu uma carta aberta a Marcelo

0.47 pontos de média a separaram do curso de Medicina em Portugal. Escreveu uma carta aberta ao presidente da República. A Visão publicou-a. As críticas, os confusos e as notícias foram muitas. Tudo com o mesmo ponto de partida: a carta.

Maria Barros candidatou-se ao seu curso de sonho, Medicina, com uma média de 17.3 valores, mas em Portugal as médias de acesso são elevadas e escassas para quem quer cuidar dos outros. Por isso escreveu uma carta aberta a Marcelo Rebelo de Sousa. Esta:

O crime de José António Saraiva

Devassa da intimidade, com o objetivo de invadir, ferir e lucrar com isso.


Chamaram-lhe "o livro proibido", o que chama a atenção porque, ou o que o autor escreveu é crime, ou a editora Gradiva não quis ver que o era, o que seria estranho. Publicou e “voltaria a fazer o mesmo” (disse o editor da Gradiva) porque o lucro era superior aos riscos. Ou porque publicaria algo “proibido”?
Quando Saraiva contactou a editora que em tempos foi do seu pai,  António José Saraiva, dizendo que tinha um livro para publicar, a Gradiva disse imediatamente que sim, sem o ter lido. A publicação de Eu e os Políticos – O que não pude (ou não quis) escrever até hoje ocorre no momento em que JAS se retira de cargos executivos no Jorna­lismo.

Opinião: Ronaldo atira microfone da CMTV a lago

O jornalista da CMTV, Diogo Torres, perguntou ao jogador: “Ronaldo, preparado para este jogo, hoje?” e, na sequência desta pergunta, o avançado da seleção portuguesa agarrou no microfone e atirou-o para o lago. 


De um lado o ato de atirar um microfone a um lago na sequência de uma questão de um jornalista e, do outro, o facto da CMTV ter entrado numa área onde não era permitida a entrada de jornalistas para questões.

Ponto 1 - Era preferível dizer que não respondia ou simplesmente ficar calado ao ouvir a questão do jornalista em vez de atirar o microfone ao lago. Se a fonte tem direito a não responder, o jornalista tem direito de resposta.

Ponto 2 - A CMTV entrou num local onde não era permitida a entrada de jornalistas. 

Ponto 3 - A CMTV deve apresentar queixa, sobretudo caso o microfone tenha ficado danificado.

A atualidade

Foto: DR
As notícias fazem-se para ser lidas, ouvidas e para informar. Porém, numa sociedade do conhecimento como esta onde a informação circula em todo o lado, será que as notícias são a única forma de estar a par do que se passa? E o Jornalismo... será que está com o seu fim determinado?

Papéis do Panamá

DR

A fonte da fuga de informação

“A primeira mensagem era apelativa, mas vaga. ‘Olá, querem informação?’ Foi assim que o autointitulado John Doe - nome frequentemente usado pelos anglófonos para falar de uma pessoa não identificada - se dirigiu ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung”, conta o Diário de Notícias.

A maior fuga de informação a que o Jornalismo alguma vez assistiu chama-se “Papéis do Panamá” (Panama Papers, em inglês). Os dados foram divulgados por uma fonte que se identificou apenas como John Doe ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e disse ter divulgado os documentos devido à “escala das injustiças” que estes revelavam, nomeadamente “a desigualdade de rendimentos”. 
A fonte de informação diz ainda estar disposta a colaborar com investigações criminais "dentro dos possíveis", e salienta que a empresa Mossack Fonseca, "apesar de inúmeras multas e violações das regulamentações que estão documentadas, continuava a encontrar aliados e clientes em firmas de advogados de grande dimensão em quase todo o mundo".

Nos "Media": Da vida religiosa à universidade

Entrevista a Emília da Conceição Ribeiro

É da metrópole e via Skype que o RAMO D’ALÉM conversa com Emília Ribeiro. A vivência da religião começou em casa, mas depressa formou o grupo de jovens do Cercal e foi catequista. Um retiro aos 19 anos foi o “clique” para a vida consagrada. A vida religiosa já a levou a vários países, mas Portugal é agora o destino da sua missão. 

Podemos começar por falar sobre a sua meninice. Como é que foi a sua infância?

Foi uma infância muito agradável, a vivência na aldeia. Eu ajudava em casa e no campo, com os animais e nunca tive dificuldades no ambiente escolar.

Era uma aluna aplicada e os seus professores até diziam para ser professora.

A minha última professora foi sobretudo quem recomendou muito que eu fosse estudar
.
Nessa altura o cristianismo já estava presente na sua vida?

Como em qualquer ambiente cristão, rezávamos o terço em casa, participávamos quase diariamente na Eucaristia, ia à catequese.

Então não integrou nem grupos de jovens nem foi catequista?

Mais tarde. Aos 18 anos formámos um grupo de jovens no Cercal que não durou muito tempo e, nessa altura, ser catequista também ajudou a solidificar a minha fé, a ver as coisas numa perspetiva um pouco diferente.
Houve uma pessoa que me influenciou positivamente, e que eu considero um santo, que foi o padre Bento Simões com quem eu gostava muito de falar.

Qual considera que foi o “clique” para a vida consagrada?

Foi um retiro que fiz, aos 19 anos, na casa das Irmãs da Divina Providência, em Fátima, depois de elas terem falado da sua experiência numa Eucaristia. Começou a marcar de maneira diferente a minha vida.

Chegou a trabalhar de forma remunerada.

Acabei a escola aos 12 e com treze anos fui trabalhar para Fátima numa casa de artigos religiosos e que alugava quartos. Dois anos depois fui trabalhar para Tomar para uma família que tinha duas crianças. Estive lá 5 anos. Conheci uma realidade diferente, que foi a vida na cidade. Aprendi bastante e foi a partir daí que parti para a vida religiosa. Aos 19 anos é que eu comecei a questionar o futuro, depois de a minha Mãe morrer. Foram seis anos de luta, de procura, mas sempre querendo fazer aquilo que eu sentisse que era a vontade de Deus. Não a minha.

A morte da sua Mãe aos 16 anos pôs à prova a sua fé?

Não. Pelo contrário. Aliás, o padre Bento Simões foi quem me ajudou a ver que onde ela estava agora podia fazer muito mais por mim e por toda a família.

Como surgiu a decisão de ir para as Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres?

Depois do retiro e de passar fins de semana com as Irmãs da Divina Providência, percebi que não me sentia bem identificada com o que elas faziam. Faltava-me alguma coisa para dar o passo. Aos 21 anos, as Irmãs Concepcionistas convidaram-me para um retiro na casa delas e comecei a ir a outros com elas, a conhecer o trabalho que elas faziam. Isso entusiasmou-me. Fez-me ver que me sentia identificada com esse carisma.

Como é que os seus pais (pai e madrasta) reagiram à decisão?

O meu pai dizia-me que era muito sério e que não andasse a brincar com isso. Eu sabia que ele se sentia muito orgulhoso.

Ingressa na Congregação e vai para onde?

Primeiro estive em Fátima, depois em Elvas. Em 1997 fui para Roma e em 2000 para Moçambique.

Quando se lembra de África, o que é que pensa?

Tenho muitas saudades, foi uma missão que me encheu as medidas, porque senti que o trabalho que fazia ali podia não ser nada mas era muito para as pessoas que servíamos, principalmente para as famílias que ajudávamos no interior e para as crianças órfãs, desnutridas e com SIDA. O último trabalho que fizemos foi abrir uma casa para crianças órfãs que me chamavam “Mamã, Mamã!”. Tudo o que fazia dava-me muito gozo.

Foi difícil voltar para Portugal?

Depois de lá ainda fui para Timor, onde se vive uma situação diferente, porque não há tanta ‘miséria’ como em África. Vir para Portugal foi encontrar uma situação totalmente diferente, toda uma ‘engrenagem’ a que já não estava habituada. Desde o princípio coloquei nas mãos de Deus para que ele decidisse aquilo que ele achasse melhor e a obediência a Deus passava pela obediência às minhas superioras.

Então não foi uma decisão sua.

Não. Quer dizer, não foi uma decisão minha, mas acatada e muito bem aceite por mim.

Da mesma forma não foi uma decisão sua ir para a Universidade Lusófona, para o curso de Contabilidade, Fiscalidade e Auditoria.

Não, não foi e estava longe dos meus planos.

Como está a correr?

Mais ou menos, sobretudo ‘pelas matemáticas’ que estão um bocado esquecidas. Foram muitos anos sem estudar.

Por fim, o que significa para si ser freira?

Significa estar livre, disponível para servir o Senhor ao jeito de Madre Isabel, fundadora da nossa congregação. Vivemos com base nos votos de castidade – castidade, obediência, pobreza. É difícil a sociedade de hoje entender a vivência dos votos, mas para mim tem um sentido muito grande.

Entrevista para jornal RAMO D'ALÉM

Foto:DR

Foto: DR
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