Opinião: A Quinta dos Animais, de George Orwell


«Quatro patas bom, duas pernas mau»


A Quinta dos Animais é a reedição do original livro de George Orwell, Animal Farm, com a tradução inicial de O Triunfo dos Porcos.


Este pequeno livro está pejado de uma alegoria representativa dos acontecimentos que levaram à implantação do regime estalinista na ex-URSS, na primeira metade do século XX. Na Quinta do Infantadoperdão, dos Animais; erro meu, é mesmo do Infantado, dirigida pelo humano Sr. Reis (que representa o czar russo Nicolau II), as sementes da revolução começam a ser plantadas pelo porco Major (baseado em Marx e Lenine) e, incentivados pelas suas palavras e ideais de igualdade, os animais da Quinta revoltam-se e expulsam todos os humanos do local. De imediato, são instituídos os sete mandamentos dos animais. Todos trabalham em prol do bem comum e os bens são igualmente repartidos por todos.



Os Sete Mandamentos

1. Todas as criaturas que caminham sobre duas pernas são nossas inimigas.
2. Todas as criaturas que caminham sobre quatro patas ou que têm asas são nossas aliadas.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá numa cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Os animais são todos iguais.

Que se alteram para:


4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.

5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

É o fim da igualdade.


Fotos: Cláudia Pereira. DR


Não querendo revelar mais pormenores da história, o importante ao ler este livro é olhá-lo como uma alegoria, uma história personificada por animais, na qual o autor atribui aos animais os defeitos e ridículos dos humanos, como forma de criticar a sociedade russa (ou toda a sociedade atual, dependendo da perspetiva do leitor) e o poder do Homem.

A história desconstrói a utopia do comunismo e demonstra que os sistemas políticos extremos não são a solução. No apêndice, reflete-se ainda sobre “a Liberdade de Imprensa” (a censura a que o livro esteve sujeito, tendo sido severamente criticado pelo regime comunista) e, no prefácio, encontram-se várias considerações sobre as opções políticas do escritor.


Através dos acontecimentos passados, faz-nos compreender o mundo de hoje - tempo em que, apesar de sermos todos humanos, continuamos a não ver toda a gente como igual; no discurso político, as promessas são muitas e na prática os resultados são poucos; ou o retrato da ambição desmedida por poder.

Com uma linguagem clara, fácil de compreender, mas carregado de uma alegoria que o torna genial. Foi pensado ao pormenor, como provavelmente todos os livros do autor. Antes d'A Quinta dos Animais, li a obra 1984 e posso considerar George Orwell (pseudónimo de Eric Arthur Blair) um dos melhores escritores de todos os tempos.



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