Passado, presente e futuro andam sempre de mãos dadas no meu caminho. Cresci numa aldeia onde para ter acesso a uma fotocópia ou a um jornal tenho de pedalar 10 km. A televisão é portanto o meio mais fácil que tenho para aceder às notícias do dia ou para viajar. Sempre viajei muito, portanto. Mas com um olhar filtrado por câmaras e por outras pessoas que dão a conhecer espaços muito diferentes da minha realidade.
O campo põe-nos a pensar e as dificuldades desafiam-nos. Aqui não há grandes empresas, metro, só passam os autocarros dos colégios, a escola quase não tem alunos e os idosos são a maioria dos habitantes. Ouvem-se os pássaros e o galo a cacarejar. Os carros também passam, numa estrada mais distante. As cores mais vivas desta terra são o verde das árvores e o azul do céu. Destacam-se, sem dúvida.
A qualidade de vida é muito diferente da da cidade. Do caótico, da poluição, das correrias para apanhar o metro, do cheiro a transpiração das pessoas que vão enlatas no metro. Na cidade há sempre coisas para ver e fazer, entre conferências e espetáculos musicais de alta performance. Sente-se a competição entre quem vai conseguir lugar sentado no autocarro ou quem vai ter a melhor nota da turma. Todos têm objetivos e querem lutar por eles. Uns decidem passar por cima dos outros, outros preferem ter meios corretos para atingir metas.
A cidade e o campo são pontos divergentes e é complicado dizer qual o melhor. A cidade dificilmente sobrevive sem o campo.
Quem parte do campo para a cidade confronta-se com um choque a vários níveis. Tudo é diferente. Só os produtos da terra são iguais, mas depois os seus preços voltam a chamar a atenção para a diferença. Na minha terra, há uma "estrada principal" e outras pequenas ramificações, enquanto que na cidade as estradas não têm fim e cruzam-se, entrecruzam-se e voltam a cruzar-se novamente; e há restaurantes e cafés em cada esquina; cada rua tem uma estória para contar e em cada canto há um caminho diferente, novo.
Da aldeia parte quem não tem raízes de advogados, professores ou médicos. Parte quem sempre viu o mundo por uma caixa mágica e que agora quer ser mais e melhor sem pisar ninguém, simplesmente ser quem é num mundo com tantas desigualdades. Uns partem a meio da corrida, eu parto mais atrás com todas as diferenças que isso me faz carregar às costas.
E o bom da vida não é poder aproveitar o melhor do que houver em tudo? :)
ResponderEliminarSem dúvida!
EliminarBeijinhos
Achei esse texto inspirador!
ResponderEliminarE essa foto deu-me vontade de subir as escadas :')
http://bloguedacatia.blogspot.pt/
Isso é ótimo!
EliminarSão do Panteão Nacional :)
Nasci e cresci numa aldeia, adoro voltar e sentir o silêncio e a calma com que se vivem os dias, mas confesso que ao fim de 3/4 dias já quero voltar à confusão...
ResponderEliminarhttp://araparigadoautocarro.blogs.sapo.pt/
Eu demoro mais tempo a querer voltar à confusão.
EliminarOs dois mundos fazem-me falta. Complementam-se.
Beijinhos,