Finalmente tenho a carta de condução! Quarta-feira, 24 de agosto, fui a exame e hoje quero-vos falar de como foi todo o processo até a obter. Digo já que não foi nada fácil. Durante todo este tempo procurei informação na Internet e senti falta de mais pessoas a falar sobre a sua experiência, por isso vou-vos contar a minha. Se já tiverem a carta podem sempre contar a vossa história.
O código da estrada foi bem difícil de assimilar. No início ia às aulas e não percebia nada. Só ouvia termos técnicos de que já tinha ouvido falar mas não sabia os significados. Fui tentando perceber algumas coisas e com a continuação comecei a perceber a matéria e portanto a decorar definições e regras. Tudo se tornou mais fácil.
Eu tinha aulas de código das 14h às 18h e no início ficava lá a tarde TODA, para além de já ter pegado no livro na parte da manhã. Um exagero. Chegava à última aula da tarde completamente sem cabeça, desconcentrada.
Passei a ir só a duas aulas por dia e depois, claro, lá ia a pedalar até casa (16km). Chegava cansada mas mesmo assim ainda ia rever o que tinha aprendido nas aulas.
Umas semanas depois comecei a fazer testes de exame nos computadores da escola, já que não comprei a pen de exames.
Passava o dia a estudar código - fosse a estudar o livro, quer a fazer testes ou mesmo no YouTube a ver vídeos com a matéria. (Eu costumo ter vários métodos).
Três semanas depois da inscrição na escola, a professora começou a fazer-me perguntas nas aulas. Havia dias em que o cansaço era tanto que eu errava todas as perguntas e o castigo era ter de (re)escrever a resposta 5 vezes. Remédio santo: no dia seguinte a professora fazia a mesma pergunta e eu já sabia responder. Então sempre que havia alguma coisa mais difícil de perceber à primeira eu escrevia 5 ou 10 vezes.
Três ou quatro semanas antes do exame eu já estava cansada do código, não só pelo esforço mental como pelo físico porque ia diariamente para casa de bicicleta em pleno verão.
Fui obrigada a marcar o exame com um mês de antecedência porque em plenas férias escolares era muita a lista de espera daqueles que queriam ir a exame. Os dias passavam e eu, embora já soubesse bastante do livro, não me sentia confiante porque nos testes ainda errava 4 e às vezes 7 respostas. Comecei mesmo a ficar preocupada, mas tudo mudou.
Duas semanas antes do exame senti uma evolução. Comecei a errar menos. Ou errava uma ou errava 4. Era sempre uma ou quatro, uma ou quatro. As cedências de passagem eram o pior.
Na semana anterior ao exame eu já estava mais confiante mas preocupada pois durante uma semana ia ser monitora na Colónia de Férias da Cáritas e não sabia se ia ter tempo para estudar.
Fui para a Colónia. As crianças eram obviamente irrequietas, estavam de férias portanto só queriam brincadeira. Os dias eram muito preenchidos com atividades e nós, monitores, para além de termos de preparar as atividades, tínhamos de as fazer com as crianças. Uma azáfama e muita responsabilidade em mãos. Os únicos momentos mais descansados que tinha eram a hora de almoço (em que tinha de cuidar do meu grupo de crianças e podíamos dormir ou brincar) e à noite (durante a qual por vezes me tinha de levantar se alguma delas estivesse a incomodar as outras ou alguma tivesse feito xixi na cama). Nos primeiros dois dias, na hora de almoço, revi o livro do código e percebi que ainda sabia a matéria, mas depois de me deitar tarde todos os dias comecei a só precisar de dormir e dormir. Qualquer tempinho livre era para fechar os olhos. A última reunião de monitores acabava por volta da meia-noite mas depois ficávamos até às tantas a ultimar as atividades do dia seguinte.
Já no final da Colónia comecei também a aderir às noitadas de filmes e palhaçadas com os colegas. Quando acordávamos, para além de estarmos todos riscados com canetas, já as crianças tinham de se levantar. Sem descanso, a Colónia acabou e faltavam três dias para o exame. No dia seguinte, passei o dia a dormir mas não muito descansada porque o exame estava à porta e tinha consciência do que não tinha feito. Então, quando acordava pegava no livro mesmo que só dez minutos. Não me lembrava de quase nada. Nos testes nas escola errava quatro, outras vezes uma e às vezes mais de quatro. Variava.
No dia anterior ao exame estava a começar a ver o filme todo e ainda o fui piorar. Fui jantar e sair à noite com os colegas colonianos mas tive o mínimo cuidado de chegar cedo a casa. Claro que não foi o suficiente. No dia seguinte tive de me levantar cedo. Ia no carro da escola de condução rumo ao centro de exames de Porto de Mós com vontade de fechar os olhos e dormir. Cheguei ao centro de exames e a sala estava cheia. Depois de um tempo à espera lá nos chamaram. Na fila comecei a stressar imenso, só com pensamentos negativos e a refletir na minha irresponsabilidade. Assim que pus um pé na sala de exames foi automático: comecei a tremer dos pés à cabeça, literalmente. Comecei a perceber que não estava em condições para estar em pé, quanto mais para fazer um exame! Perdi o fio ao nervosismo.
"Podem começar!". Porém, eu mal conseguia concentrar-me nas perguntas. Li e reli e reli a primeira questão, depois passei para as outras e como comecei a saber as respostas pelo que fiquei mais calma. Quando não sabia, passava à frente. Sempre assim. Última questão feita pelo que voltei atrás para reler tudo e fazer as que tinha deixado em branco. Nessa revisão comecei a reparar em pequenos pormenores, em palavras como "apenas" ou "só" ou sinais de trânsito que me escaparam. Claro que depois de um período de stress tão grande eu me sentia muito cansada. Olhava à volta da sala e via umas pessoas calmas, outras também nervosas, uma rapariga chorava. Uns reviam o exame, outros mudavam respostas.
O exame terminou e ainda estivemos um tempo na sala. O senhor que estava connosco na sala começou a imprimir umas folhas. Uns alunos continuavam com cara de aflição (tal como a minha naquele momento) e outros sorriam aos colegas. A rapariga continuava a chorar e as colegas à volta tentavam acalmá-la.
O senhor levantou-se e disse que à medida que ele ia chamando os nomes, nós tínhamos de passar pela mesa dele e depois podíamos sair. Começou o desfile. Uns quando passavam pela mesa levavam a licença de aprendizagem com uma rubrica, outros levam uma folha de papel. Eu levei a folha de papel a dizer que tinha errado quatro. Foi por um triz, foi por uma.


Ai colega, só de ler este texto até eu fiquei stressada :/ que situação!
ResponderEliminarÉ mesmo? :O
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