Estagiar na Rádio #3

"A única maneira de fazer um bom trabalho é amando aquilo que se faz" - Steve Jobs, fundador da Apple



O meu estágio de verão na Rádio Canção Nova chegou ao fim, no dia 31 de agosto. Bons momentos lá passei, entre risadas e gargalhadas houve muito trabalho, felizmente. Hoje vou-vos contar as minhas tarefas diárias.

É uma rádio que visa evangelizar (transmitir a mensagem da Igreja Católica Romana), pelo que músicas e temas se baseiam na religião Católica Cristã. Porém, a sua programação vai além disso porque passa também pela informação. O meu curso é Jornalismo e Comunicação portanto o trabalho que lá desenvolvi teve a ver com isso.
Durante dois meses dei voz às notícias da meia-noite. Foi a primeira vez que fiz locução, que dei voz a um texto para ser publicada e logo a primeira foi à filme. O locutor José Mário chamou-me para ir gravar as notícias e explicou que era só eu ler normalmente. Desafio aceite, gravei e depois chamei-o para ele ver se estava relativamente bom. Ele sentou-se e ouviu, ouviu e eu ao lado a ficar nervosa. Depois chamou a Sandra e eu disse em tom de brincadeira "Não me diga que isso está assim tão mau". E ele nada dizia. Eu nervosa, ele calado à espera da Sandra. Quando ela chegou ele pôs a minha gravação alto e eu ouvia, nervosa. No final, deram-me os parabéns enquanto eu respirado de alivio, incrédula.
Mas tinha outras tarefas para além da locução. À Agência Lusa ia buscar as notícias mais fresquinhas e depois era escrever, gravar e editar. A edição é uma parte essencial do trabalho radiofónico (e televisivo) porque, depois de o programa estar gravado, cabe ao editor selecionar o que vai para o ar, cortar o que ficou mal gravado ou o que simplesmente não interessa, inserir a música de fundo enquanto o apresentador fala ou a música de abertura do programa. Isto em programas gravados, como era o caso das notícias da meia-noite. 
Para além da edição e locução, deram-me a oportunidade de fazer operação de estúdio. Às 11 horas percorria o corredor para ir para o estúdio fazer a emissão de programas em direto e programar. A rádio pode funcionar sem estar 24 sob 24 horas alguém em frente ao computador a inserir programas quando um acaba, para não haver silêncios na rádio. Felizmente dá para programar, ou seja, agendar programas para determinado dia e hora. Essa foi também uma das minhas tarefas.
Algo que me deixava mais nervosa eram os diretos. O que se diz no momento é que as pessoas ouvem e não há possibilidade de fazer cortes ou editar e, como tinha consciência que os nossos ouvintes não eram assim tão poucos, lá tremia um bocadinho, mas nem por isso me ouviam a dizer não quero ou não faço. Vá, excepto uma vez. Tinha começado há umas simples duas semanas, quando estávamos no estúdio principal porque a jornalista Sandra Dias estava numa emissão em direto e eu estava ao lado dela, caladinha, apenas a pôr as músicas no ar quando era caso disso. Ela desliga o microfone dela e desafia-me a falar em direto, só um minutinho mas eu não sabia o que dizer pelo que disse logo que não. Ela já com o microfone ligado novamente começa a falar e eu ao lado dela a gesticular e a dizer sem se ouvir "não, não". Ela, que já tem anos disto, lá me passou o microfone. Endireitei as costas, colocando-me na cadeira como o meu professor de rádio dizia para fazer e pronto tive de falar. Correu bem e agradeci mentalmente por ela me ter "desobedecido".




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