O Ciclone dos Açores


Pedro Miguel Carreiro Resendes - Pauleta

Guarda as origens humildes que colheu na aldeia de São Roque. A 28 de abril de 1973 nasce na ilha de São Miguel, Açores, e é daí que surge a alcunha Pauleta, como era conhecido, e que vem desde a família da sua bisavó paterna. Depois da sua ida para Salamanca, Espanha, ganha a alcunha de “Ciclone dos Açores” que se perde quando vai para França onde passa a ser chamado apenas por Pedro

O voo internacional não o fez perder a humildade e o altruísmo. Ficou famoso o seu golo do Açor, um ritual que celebra quando marca um golo, como se fosse um Açor a planar, em homenagem à sua terra natal, os Açores. São o verde e o mar que o atraem às suas raízes. Foi lá que começou e lá que deixou o último golo enquanto profissional de futebol.

Nos Açores, a sua brincadeira era só jogar à bola, uma paixão que lhe prejudicou em parte os estudos de que agora sente falta. “Há certos desafios que podia aceitar e que não aceito (por não ter estudos), na área dos negócios, por exemplo”, assume em “Com Amor Se Paga”.

Aos 8 anos aceitou o desafio de um amigo que lhe mudou a vida: ir experimentar o clube Comunidade Jovem de São Pedro e de imediato João Bosco, o seu primeiro treinador, o convidou a ficar e assim assistiu aos primeiros golos do jovem franzino. O carinho pelo treinador é muito pois João Bosco era também quem trazia e levava os aprendizes a casa. “Ele era tudo naquele clube”, diz Pauleta em “Com Amor Se Paga”.

As exibições em campo chamaram a atenção de clubes portugueses como o Benfica, onde esteve à experiência. Depois, na época 1990/1991 ingressou na equipa júnior do Futebol Clube do Porto. Porém, acabou por regressar ao Santa Clara, Açores. 

Em 1995 ganha outro rumo. Os muitos golos que marcava fizeram com que aos 13 anos já todos o conhecessem. 

Para ir para o continente o pai de Pauleta impôs-lhe a condição do matrimónio. Casou-se e no dia seguinte voa para o Estoril. “A minha vinda para o Estoril foi um passo enorme” (“Só Visto!”), ao descer da terceira para a segunda divisão. Começa logo a jogar como titular e com a meta da internacionalização enquanto jogador profissional.

A ascensão foi rápida. No ano seguinte foi para Espanha. Na Corunha foi titular, mas cerca de um ano depois teve uma lesão no joelho num jogo para a Taça UEFA que o fez sair da equipa.

O Bordéus permite que o goleador não pare. Pedro Pauleta chega a França em 2000, um país que teve grande influência na sua carreira, já que passou oito temporadas no futebol francês (Bordéus de 2000 a 2003 e Paris de 2003 a 2008). 

“Quando cheguei a França, ninguém ou quase ninguém me conhecia. Na minha primeira partida por aqui, apenas dois dias depois de chegar ao Bordéus, marquei três golos contra o Nantes. Perfeito para ganhar confiança. Além disso, tinha o sonho de atuar num clube como o Paris Saint-Germain” (2003-2008).

Recebeu por duas vezes consecutivas o prémio de melhor jogador da Liga Francesa de Futebol, quando jogava no Bordéus, e foi ainda eleito o maior jogador de sempre do Paris Saint-Germain. Apenas para referir algumas das suas conquistas.

Pauleta com o Óscar de melhor jogador da primeira Liga Francesa. 

Estreou-se na Seleção Portuguesa a 20 de agosto de 2007, frente à Arménia. "Com 47 golos marcados, em 88 internacionalizações ao serviço da Seleção Portuguesa, é considerado o melhor marcador de sempre, a par de Cristiano Ronaldo" (site).


"Quando representas o teu país parece que é o sonho de qualquer jogador e eu, que tenho essa oportunidade, dou sempre o máximo daquilo que tenho. É e será sempre um orgulho jogar com [a camisola da Seleção Nacional] e marcar golos com aquela camisola. Não há nada mais importante para mim no mundo do futebol", disse em "Goleador dos Açores".

Jogar na Seleção foi o concretizar de um sonho. Esteve várias vezes perto da primeira divisão com o número 9 nas costas mas não chegou lá com a camisola lusa. "Havia convites mas eu estava bem nos clubes onde passei, fazia muitos golos e portanto era difícil os clubes deixarem-me sair para Portugal. A partir dos 30 anos foi também uma opção eu querer acabar a carreira no estrangeiro", explica em “Com Amor Se Paga”.

Arrumou as chuteiras mas em 2010 ainda foi representar o Desportivo de São Roque, da sua ilha de São Miguel. Fê-lo por ser o clube da sua freguesia, no qual jogou o seu pai e agora o filho, homenageando "as pessoas da minha terra que tanto me apoiaram" ("Com Amor Se Paga").

Porém, as suas qualidades não se esgotam nas quatro linhas. É embaixador da secção portuguesa das Aldeias SOS; em 2004 cria nos Açores a sua Escola de Futebol e em 2007 uma Fundação e complexo desportivo incentivando a prática desportiva e prestando apoio social aos jovens desfavorecidos.

“Penso ter a obrigação de, por causa da minha carreira e pelo que ganhei, fazer qualquer coisa pelo desporto e principalmente pelas crianças”, diz quando fala da Escola de Futebol Pauleta (na reportagem "Be In Sport").

O Euro 2004 fazia burburinho quando a sua biografia é publicada, pela autoria do jornalista José Manuel Freitas. Já em 2013 é imortalizado numa estátua em bronze colocada no seu complexo desportivo por iniciativa dos amigos e familiares e da autoria do artista açoriano Álvaro França. 

A Reforma

Pauleta anunciou a saída dos relvados em 2007, mas apenas dos grandes palcos. Continua presente nos Açores, nas instituições que criou (que referi acima) e cumpre o seu papel de Embaixador do Turismo dos Açores, desde 2010. É ainda diretor das seleções nacionais de formação da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).
Tem como desejo futuro ver os seus filhos formados, diz numa entrevista em 2013, os quais são incentivados à prática desportiva.

Fontes de Informação
Reportagem "Be In Sport" (em francês) | Entrevista ONPC (em francês) | Entrevista Paris Saint-Germain

2 comentários:

  1. Há que falar bem do que tiver bem. Há que torcer pelos melhores! :D

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    1. Sem dúvida! E temos tantas pessoas a destacarem-se em diferentes áreas

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