Opinião: "ser homossexual faz mal à saúde"?

Foto: CMTV
A começar pelo nome, a homofobia já denuncia (e denunciava) algo de errado.
O comentador João Malheiro disse que "ser gay faz mal à saúde", fundamentando o seu argumento com a afirmação errada de que “só há cerca de 10 ou 15 anos a Organização Mundial de Saúde (OMS) entendeu a homossexualidade como não doença, até contra a minha opinião”. Na realidade foi há 26 anos, em 1990.
Porém, não é a primeira vez que João Malheiro dá a sua opinião sobre homossexualidade. "Os homossexuais julgam-se superiores! Estou farto! Estou cansado dos homossexuais que têm a mania que são melhores que os heterossexuais", disse no programa "Flash! Vidas". Afirmação que, mais uma vez, não explicou. Eu, sinceramente, não percebo porque é que o jornalista João Malheiro considera que eles se acham superiores aos outros. Conhece assim tantos para ser uma amostra tão grande que lhe permita tirar esse género de conclusões? Porque é que distingue os homossexuais dos heterossexuais?
Mais, porque é que “a violência pode ser um ato de amor”? Fala sobretudo da violência verbal, mas nem que fosse a física, como assim um ato de amor? Explica o comentador desportivo que o ciúme leva por vezes a que alguém dê um estalo ao/à companheiro/a sendo por isso um ato violento por amor, embora "reprovável". 
São estas opiniões que levam a atos de violência; aos números de mulheres e homens mortos por violência doméstica e aos outros que sofrem nas mãos dos agressores; a um sofrimento de quem é homossexual ou LGBT; a uma não aceitação do que, ou de quem, é diferente. Mas, afinal, não somos todos nós diferentes e todos IGUAIS? Cada um tem as suas características e especificidades, mas também todos nós nascemos da mesma forma, enfrentamos desafios, partilhamos o planeta Terra. Partilhamos também experiências e saberes, sendo que temos de ter uma mente aberta para podermos aprender, crescer, ser mais e melhor no que somos e fazemos lembrando sempre que ninguém é superior a ninguém e que não se pode dizer "nunca" porque um dia pode-nos calhar a nós. Sabem porquê? Porque somos todos IGUAIS.
Imagine, João Malheiro, e imagina tu que estás a ler isto, que o teu filho era homossexual. Mandava-lo para o médico para se curar? Apoiava-lo? E se tu fosses homossexual? E se tu não gostasses de ser homem/mulher e quisesses ser mulher/homem? Que fazias?
Vejamos que, felizmente, o mundo está em constante evolução, com novas descobertas e novos hábitos de vida. Vejamos que antigamente se acreditava piamente que a Terra estava no centro do universo, mas agora sabe-se que é o Sol que está no centro e os planetas giram à sua volta. Houve uma evolução de métodos e depois uma mudança de mentalidades. Uma alteração progressiva mas, como em tudo, há quem continue com a sua opinião e não a mude, não se meta no lugar do outro, o que é algo que um jornalista deve fazer, como dizem os códigos deontológicos que regem a profissão.
Houve uma progressiva evolução de definições de conceitos e o de homossexualidade alterou também. Tal como o de homofobia que vem do grego “homo” (significa “igual”) e “fobia” (“medo”) mas que se alargou para o ódio, a aversão, repulsa, nojo, enfim, qualquer sentimento contra a homossexualidade. 
O problema é que para além de João Malheiro há mais pessoas que são homofóbicas. Quando me dizem esse género de opiniões tento sempre perceber porquê e questiono-as, mas até agora ainda nenhuma dessas pessoas me deu uma justificação tão válida que me fizesse mudar a minha visão. Sabem porquê? Porque somos todos IGUAIS. Não neguem isso ou , pelo menos, quando negarem dêem boas justificações.

Quem é João Malheiro?

João Malheiro nasceu em 1960 e a sua vida levou-o a ser jornalista no jornal O JogoRádio Clube do PortoRádio ComercialRTPRDP/Antena 1 e TSF

O deporto é uma das suas paixões, mais particularmente o Benfica, que o fez ser sócio e acionista do Sport Lisboa e Benfica e ainda diretor de comunicação do clube. Conquistou o Prémio GandulaPrémio Fernando Vaz e Prémio Cândido de Oliveira, da Associação Nacional de Treinadores de Futebol. Escreveu As Estrelas, obra do centenário do clube, e Memorial Benfica, sobre os 100 melhores jogadores da história dos Encarnados. 




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