"A guerra, segundo Faulques, “(…) só pode ser bem fotografada se, ao levantarmos a máquina fotográfica, não formos afetados pelo que vemos… O resto é preciso deixar para mais tarde” (...).Durante meia hora, fotografou aqueles homens, um por um, (…) onde sobressaía o branco dos olhos horrorizados que olhavam para a máquina. (…) Carne crua. Nunca como nesse dia o cheiro dos corpos africanos lhe pareceu tão semelhante ao da carne crua”...". (in Pérez-Reverte, A., O Pintor de Batalhas).
O tempo não volta atrás. As decisões estão tomadas. Num instante tudo muda. Uma bomba explode e a vida da protagonista altera o rumo. A vida de uma repórter de guerra que vive a paixão de estar em locais onde há feridas, bombas, sofrimento.
As histórias através de fotografias.
O perigo é constante e traz consequências pessoais, familiares, profissionais. Se não se conseguir tirar a fotografia, não se conta a história; o perigo chama, o repórter corre e arrisca a vida; a família aguarda ansiosamente pelo telefonema que não aparece, chora o que pode ter acontecido.
Um filme que merece os melhores prémios pelo retrato de repórteres de guerra que procuram a adrenalina e porque nos faz esquecer que é um filme. Entramos no enredo como se fossemos nós. Passamos a valorizar mais a profissão e vemos que o Homem não é feito de ferro. O Homem que tenta intervir na realidade, que a tenta mudar, que tenta salvar a vida dos outros e que para isso arrisca a sua.
Os repórteres de guerra vão para locais muitas vezes ignorados por nós.
Rebecca é o retrato dos nossos repórteres de guerra. Os personagens secundários são o retrato da realidade que não queremos ver, da crueldade dos interesses, da verdade que muitas vezes não nos chega.
Rebecca é quem não desiste em prol da sua paixão. Inquieta, não sabe viver no mundo que ignora o que se passa à sua volta.
Rebecca inquieta-nos.
Será que vale a pena o risco?


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