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| O ativista político Martin Luther King a discursar nos degraus do Lincoln Memorial, em 1963, como parte da Marcha de Washington por Empregos e Liberdade. Foto: DR |
As palavras são fugazes, perdem-se e são poucas as que ficam. Quando penso
num bom discurso lembro-me do de Martin Luther King ("I have a dream"
ou "Eu tenho um sonho") e depois se pensar na frase que mais me marca
a vida recordo-me do meu avô a dizer "Oh minha menina, estuda".
O discurso não engloba só o que é dito de um púlpito para inúmeras pessoas.
No nosso dia a dia construímos palavras, frases, raciocínios sobre temas
diversos (política, futebol...) sem pensar que estamos a discursar e que
estamos a discursar para um público. Aliás, nem pensamos que temos alguém a
ouvir-nos e que, portanto, temos de procurar que essa(s) pessoa(s) perceba(m) o
que estamos a dizer, perceba(m) os nossos pontos de vista. Nem pensamos que
temos de usar gestos, não usar sempre o mesmo tom de voz, etc. Mas de facto
perante públicos mais pequenos usamos muitas técnicas comuns ao discurso para
uma plateia maior. Sem pensar que as estamos a usar. Mas então porque é que
havemos de tremer, corar, suar... perante um público maior?
Quem determina o sucesso ou não da nossa comunicação pública é quem nos
ouve. Numa questão de segundos, o público formula um conjunto de ideias à cerca
de nós. Avalia (in)conscientemente a nossa voz, movimentos, a nossa
personalidade, mas também o discurso e se estamos ou não à vontade com o tema,
se gostamos ou não dele. Por conseguinte, essa avaliação permanente faz-nos
tremer, corar, suar... E reparem: há quem tenha 60 anos e ainda trema antes de subir a um palco; quem seja ator há 30 anos e
antes de representar ainda fique aflito. É normal. O problema é
quando o nervosismo nos atrapalha e nos baralha o pensamento.
O lado bom disto tudo é que há técnicas para controlar essas manifestações
negativas. Para mim, a melhor técnica é
ter-se o discurso bem preparado porque nos dá mais confiança e vai-se para o
púlpito pelo menos com o pensamento de que "dei o melhor de mim". E
depois uso também a estratégia de ser das primeiras pessoas a ir
falar/apresentar algo, pois quanto mais tempo fico sentada à espera da minha
vez mais me deito abaixo, me
anulo como ser capaz de enfrentar o público. Nesses momentos, anulo a minha
capacidade enquanto pessoa falante, com liberdade para comunicar e opinar. Tudo
o que no século XXI é permitido, pelo menos em alguns locais.

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