Nos "Media": Empreendedorismo e Emprego

Foto: Cláudia Pereira. DR

Texto de Cláudia Pereira

Afinal, o que é ser empreendedor? Não é apenas quem abre um negócio. É quem foge do normal, arrisca, quem é capaz de observar a vida de um ângulo diferente. Uns afirmam que é aquele(a) que quer dinheiro. Já outros defendem ser quem vê o dinheiro, fama e prestígio como uma consequência e não enquanto meta. Empreendedorismo é, por exemplo, abrir uma mercearia que se diferencia no mercado e que faz sentido e até fazia falta naquele local. Aí, sim, é uma atividade empreendedora.
Criar um negócio irreverente significa também gerar emprego. Antigamente, para ter emprego bastava ter competências técnicas (estudos, formação). Hoje, o aspeto que distingue os candidatos a um emprego são as soft skills, isto é, as competências transversais, vitaminas como a capacidade de comunicar e resolver problemas, o saber gerir o tempo e trabalhar em equipa.
Em suma, sem vitaminas o organismo não funciona corretamente nem tira o máximo partido de todas as suas potencialidades. Mas as vitaminas também precisam de hidratos de carbono e de outros elementos para que o ser humano tenha uma vida saudável. De igual forma, quem procura emprego tem de ter competências técnicas e transversais ou, pelo contrário, pode criar o seu próprio negócio, como o caso de Isabel Verdasca.


Entrevista à proprietária do Café Village

Texto de Cláudia Pereira

Isabel Verdasca é gerente do Café Village (Aldeia, em português). Do Canadá trouxe a experiência e de Portugal o saber gerir. Em 2008 surge a pastelaria e pão quente Village, onde a proprietária recebeu o RAMO D’ALÉM.

Como surgiu a ideia de criar um negócio?

Surgiu em 2006/2007 com a Sandrina Costa. Optámos por abrir um negócio e tivemos oportunidade de esta casa estar à venda. Começámos a estudar [a viabilidade do negócio], falámos com a arquiteta e, mais tarde, eu fiquei com o café e a Sandrina enquanto esteticista [numa divisão contígua ao Village].

Criar um café foi a sua primeira ideia de negócio?

O café foi logo a primeira porque o Cercal, apesar de ter vários cafés, precisava de uma pastelaria e pão quente. Precisava de uma coisa diferente com comidas rápidas, sopas, bifanas e saladas frias, por exemplo.

E comparou também os preços praticados nos outros estabelecimentos?

Guiei-me sobretudo por um café que me deu a lista de preços que estava a praticar. Depois fui vendo os preços na zona e as outras coisas fui vendo na zona de Ourém, Leiria e fui pesquisando.

Este foi o seu primeiro negócio. Quando chegou a altura de “pôr mãos à obra” ficou desorientada ao tentar pôr a ideia em prática?

Não, porque já tinha uma noção de como executar a ideia e também já tinha analisado outros locais e criado a minha própria ideia. Além disso, o facto de ter vivido no estrangeiro ajudou-me muito porque na minha adolescência trabalhei em cafés. De igual modo, pesquiso muito e sempre que vou a algum lado estou sempre de olho.

Para quem está a pensar criar um negócio, que características e competências lhe parecem fundamentais que deva ter?

Para criar um negócio deve ter a certeza que é aquilo que quer. Ponto número dois: tem de ter a certeza que tem saída, clientela, que dá rendimentos e que é algo necessário. Por exemplo, um come e bebes acho que toda a gente precisa.

Então, considera-se empreendedora, ou seja, que teve uma ideia diferente das que já existem no mercado?

Sim, sem dúvida. Eu tento procurar [que o negócio seja diferente] e mesmo na nossa página do Facebook tento trazer novidades diferentes.

Agora tocou numa questão também importante. Como é que faz a divulgação do café?

No Facebook e de boca em boca.

Um empreendedor nasce empreendedor ou faz-se empreendedor?


Faz-se. À conta de muito trabalho e de força de vontade.


Foto: Cláudia Pereira. DR


Artigo publicado no jornal mensal da freguesia do Cercal, Ramo d'Além, Nº 141, fevereiro de 2016, página 06.



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