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| Monitora Cláudia Pereira durante a Colónia, na praia do Pedrógão. Foto: André Micaelo |
Vou falar-vos de um mundo inexistente: Ortanex, a terra das aventuras. Um mundo à parte no qual as brincadeiras, palhaçadas e responsabilidade são as regras da casa.
A Casa Amarela foi o palco de grandes momentos com crianças dos 7 aos 10 anos. Traquinas, como podem imaginar, foram um desafio para mim, enquanto monitora de uma Colónia de Férias.
Os "não quero" e "não gosto" tinham de ser eliminados de início. Os primeiros três dias de regras refletiram o comportamento das crianças nos restantes momentos da Colónia. Por exemplo, desde o primeiro momento os monitores tinham de os obrigar a comer toda a comida do prato, o que incluía alface, tomate e pepino. Tudo era complicado comer. Uns não sabiam mastigar, outros praticamente só sabiam o que era arroz e massa. Por outro, gostavam de nos testar. Diariamente.
Às refeições, os monitores adotavam várias estratégias para que os mais pequenos comessem tudo. A primeira era a insistência, o não mudar o que inicialmente se disse. (Se era para comer tudo, então a regra era lei do início ao fim.) Além disso, recorríamos à competição. Um "vamos ver quem acaba de comer a sopa primeiro" levava-os a comer de forma tão célere que pouco depois já não sobrava nada no prato. Destas técnicas, tenho de destacar a mais engraçada. Um dos meninos do meu grupo não queria comer grão. "Não gosto. Não quero. Não como". Olho então para o seu prato e vejo que pouco ou nenhum grão tinha, ao que lhe pergunto onde estava, afinal, o grão. Ele aponta. "Isso não é grão. É grunix. Não sabes o que é, pois não? Então come e vê se é bom", disse-lhe eu. Quando voltei a olhar para o prato dele, já não havia grão nenhum.
A parte mais difícil para que uma criança coma é mantermos a regra do princípio ao fim. Quantas vezes eles diziam não gostar de algo e afinal adoravam. Quantas vezes dizem que precisam de ir à casa de banho quando na realidade só nos querem testar. Tudo pode ser evitado se lhes ditarmos as regras até que eles as saibam de cor e depois, no futuro, as possam ditar também.
Eu tenho fome, muita fome.Sede, muita sede.Vamos almoçar, p'ra depois ir brincar.Comer carne ou peixe, com um pouco de azeite, com um pouco de sal. Eu com tanta fome, pareço esfomeado.

As crianças sempre fazem muito birra na hora de comer, falam que hoje nao gostam disse mais amanhã ja gostam. Nos adultos demos que criar regras.
ResponderEliminarMas se eu crianças for como eu esquece, eu nao gosto de comer des de pequena, eu preferia dormir com fome do que comer certas, que eram muitas coisas. Tipo quando eu era criança só comia massa, nao conseguia comer outros alimentos e quando tentavam me obrigar eu passava mau, isso nao era quando eu cuspia a comida fora. Ate hoje eu nao como muitas coisas, nao suporto carne, e uma cambada de coisas, simplesmente nao consigo comer.
Eu trabalho com crianças, e ja vim várias pessoas obrigando crianças comerem coisas, e isso eu acho um absurdo, pois da mesma forma que tem coisas que um adulto nao gosta, também tem coisas que crianças nao gostam.
Com carinho, Hina | Aishiteru em Contos |
Há alimentos que ninguém é obrigado a comer. Por exemplo, se for alérgico. Porém, é do conhecimento geral que a salada faz muito bem e deve comer-se mesmo que seja em poucas quantidades.
EliminarExcelente testemunho. Obrigada.
Beijinhos,