O senhor da "Lamechalândia"

CURIOSIDADES SOBRE PEDRO CHAGAS FREITAS
Em meados de 2012, Francisco Penim, ex-diretor de programas da SIC e atual diretor adjunto de programação da CMTV, recebeu na sua caixa de correio um email de que ainda hoje se lembra. Como recorda à Sábado, um tal de Pedro Chagas Freitas, de que nunca tinha ouvido falar, convidava-o para apresentar um livro seu. O tratamento era por tu: "És a pessoa ideal. O teu percurso é a cara deste livro!" Em anexo vinha uma obra chamada ‘Eu Sou Deus’. Ao contrário do que o título supunha, Pedro Chagas Freitas não estava a lançar uma autobiografia, e a edição do livro até tinha sido paga do seu próprio bolso: €1200, correspondentes a 100 exemplares. Francisco Penim acabou por aceitar o convite – "mais pela lata com que fui abordado" – e no dia 12 de abril de 2012 apresentou a obra. Ao seu lado estava a escritora Clara Pinto Correia e o ator e apresentador Gustavo Santos – todos convidados da mesma forma. Três caras conhecidas num espaço da moda em Lisboa foi o suficiente para a agência Lusa fazer uma longa peça sobre o assunto, que incluía declarações do escritor. O site do Diário de Notícias publicou o texto no dia 10 de abril – Pedro Chagas Freitas era tão conhecido que aparecia referido como Pedro Chagas Ferreira. Pormenores. O objetivo estava conseguido: visibilidade. (texto da revista Sábado adaptado ao novo acordo ortográfico)

Serão os escritores solitários e apenas românticos na escrita? Esta questão foi o mote da conversa com uma colega minha, que é fã do senhor da "Lamechalândia", Pedro Chagas Freitas. 

Escritor que eu pouco conhecia. Então não é que já foi nadador-salvador, barista, operário fabril, publicitário (chegou a escrever anúncios para o Pingo Doce), porteiro de discoteca e até jogador de futebol. É um "gajo que escreve cenas" já no tempo em que jogava futebol. "Costumo dizer que jogava mal em todas as posições. Era bastante polivalente".

Para ele, a inspiração "é desculpa de preguiçoso" (verdade!), pois é a "ler muito, escrever muito, comparar muito que se consegue libertar mais a mão". Acredita tanto nesta verdade que escreveu, religiosamente, 10 páginas por dia do livro In Sexus Veritas, pois "num romance tenho uma disciplina de atleta de alta competição".

  • Escreve sempre no mesmo sítio e em cadeiras desconfortáveis, de madeira.
  • Vê a escrita como "um trabalho de joalharia". Já escreveu 150 livros de todos os géneros desde os 18 anos. Só em 2010 publicou 10. Além desse evento, criou o Campeonato Nacional de Escrita Criativa (em 2009) e no ano seguinte o primeiro livro escrito no Facebook em direto e sem parar durante 24 horas; lançou, em novembro de 2012, Ou é Tudo ou Não Vale Nada, uma obra escrita em direto e ao vivo ao longo de 2012 minutos; ou 666: um romance com 666 capítulos compostos por apenas 6 palavras.
  • Na apresentação do Mata-me, o seu primeiro livro publicado, teve quatro pessoas a assistir.
  • Nas sessões de autógrafos, escreve dedicatórias personalizadas – o leitor senta-se numa cadeira, o autor pede-lhe uma palavra e com ela faz um pequeno texto em segundos. Cria assim analogias entre a palavra escolhida e amor (tema central do livro).

Para testar a técnica, a Sábado pediu três exemplos absurdos com as palavras parafuso, matraquilhos e (porque não?) Sábado. Eis o que escreveu: "Parafuso é aquilo que, quando roda, serve para ligar, para unir. Vá sempre à procura dos parafusos que a vida nos obriga a apertar"; "Matraquilhos, bilhar, jogos que nos obrigam, e nós gostamos, a estar com o outro. Nunca se feche do outro - com ou sem jogo."; "Sábado é, mais do que o fim de um ciclo, o começo de outro – onde o trabalho acabou mas a pessoa continua. Nunca abdique do ser Sábado."
  • É agnóstico, mas acredita que "Deus está num abraço". 
  • O vimaranense não descarta ainda hoje uma futura carreira de futebol
  • Além de prometer falhar, defende que "o melhor aluno não pode continuar a ser o aluno que erra menos – porque na vida o profissional mais competente não é o que erra menos; é o que soluciona mais. E solucionar é, muitas vezes, inventar, criar, fazer diferente – mesmo correndo o risco, evidentemente, de errar".
 "Não consigo parar quieto e provavelmente outras palermices se seguirão", conclui em entrevista. Muito mais do que o trabalho de escrita, Pedro Chagas (Ferreira?) procura dizer a realidade de um escritor. 

Desconstruir "pré-conceitos"

"Os escritores fumam coisas" - Pedro não bebe álcool e nunca experimentou fumar, embora fale de experimentar um cigarro em Prometo Falhar.
i: Como é que um escritor nunca deu uma passa?PCF: Lá está, não bate certo com a ideia de escritor. Acho um nojo. E álcool também não aprecio. Há muito a ideia do artista que tem de ser um grande maluco, andar a cair pelos cantos. Lamento derrotar isso, mas nunca fui assim.


"Os escritores são solitários" - "A ideia [do escritor recatado é a] que tento combater até à demência, do escritor que é a pessoa fechada no seu castelo." Noutra entrevista acrescenta que "há sempre essa dicotomia entre quem escreve e o que escreve. Eu conheço humoristas que são tristíssimas e conheço pessoas melancólicas que são grandes malucos, estão sempre na pândega, portanto não é linear que aquilo que eu escrevo seja aquilo que eu sou. Tem muito de mim".

"A ideia romântica do escritor a escrever em frente ao mar é muito gira mas é falsa. Ou então sou eu que, por não ser escritor, digo isso".

"Os homens são brutos" - "Os homens às vezes preferem mostrar que são brutos do que são lamechas. Os outros ainda aceitam melhor o lado mais macho man, do que o lado mais sensível, porque a sensibilidade sempre esteve ligada ao lado mais feminino".

DR
DR

Fontes de Informação
Site pessoal | revista Sábado | blogue Upside Down | Jornal i | Enlaces |

4 comentários:

  1. Ainda não li nada dele... Será o próximo livro de cabeceira?
    J

    http://culpadapalavra.blogspot.pt/

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  2. Cláudia, isto não é um perfil e tu melhor que ninguém devias saber. Segundo, não sei porque é que o meu nome está aí pelo meio, mas não percebi. Terceiro, não consegui perceber nada do teu post. Mas retira o nome do meu blogue, por favor.

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    Respostas
    1. Joana, já tinha explicado noutro post que a ideia desta categoria não é de todo ser um perfil jornalístico mas sim falar sobre pessoas. Já retirei o nome do teu blogue.
      Beijinhos,

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