Questões a Fátima Silva


"Eu vou fazer 60 anos mas, na minha cabeça, eu não tenho essa idade e não penso sequer em reformar-me."

Perdeu a mãe aos quatro anos, o que foi um trauma. Quis ter filhos. Esperou doze anos por um. Ficou com uma depressão e adotou a Patrícia. Agora procura trabalhar até durante a reforma.
Maria Fátima Silva é assistente na Residência Universitária Combatentes, Coimbra.


Trabalhou na costura, em cantinas e foi doméstica. Gostava de experimentar outras áreas para além da vida ligada ao lar?

Estudei para aprender muito mais. Gosto de fazer trabalhos manuais, não só a costura mas também o ponto cruz.

De todos os trabalhos qual é aquele que a preenche mais?

Gosto muito de trabalhos manuais, coisinhas em tecido. Gosto muito de renda e de ponto cruz.

Foi fácil conciliar a vida doméstica com a vida profissional?

No início, quando era pequenina, não era muito fácil mas mais tarde foi-se equilibrando. Não era muito fácil porque quando nasceu a Patrícia (filha adotada) e eu trabalhava muito. Tinha de fazer as duas refeições principais nas cantinas.

Então gostava de passar mais tempo com a sua filha?

Sim, nessa altura sim. Mas depois vim viver para a minha atual casa, aqui em Coimbra, e pedi para mudar de horário para a poder ir buscar ao colégio e a partir daí tornou-se mais fácil porque já dava para a acompanhar.

Alguma vez pensou em desistir do seu trabalho? Mesmo com as hérnias discais?

Não. Eu não posso estar parada, é muito complicado para mim. Por estar fechada entre quatro paredes é que gosto de fazer esses trabalhos manuais para me distrair. Eu vou fazer 60 anos mas, na minha cabeça, eu não tenho essa idade e não penso sequer em reformar-me.

Maria Fátima Silva no seu escritório da Residência Universitária onde trabalha. DR


Mantém contacto com as suas amigas da escola?

Sim, com muitas. Ainda hoje mantenho contactos com os meus amigos da escola João Jacinto, era um grupinho espetacular.

Já a levaram ao Convento de Mafra?

Não, por acaso ainda não.

De onde veio esse sonho?

O meu marido sempre disse que era bonito e que me ia levar mas ainda não tive a oportunidade de ir. É mais uma brincadeira porque ele sempre me disse que me ia lá levar mas nunca me levou.

E gostava de visitar outros países? Quais?

Sim, adorava. Gostava de ir a países assim quentinhos, com praia. Mas também gosto de Portugal e adorava muito ir à Madeira. Já conheço bem Portugal, não por inteiro, mas algumas regiões conheço bem, como o Gerês, Lisboa e o Algarve.

Tem receio do que a reforma lhe possa trazer?

Sim, tenho. Não quero pensar muito nisso mas, se eu estiver autónoma, eu posso ficar em casa. Mas se eu não estiver capacitada para tratar de mim sozinha, eu prefiro ir para um lar porque eu não deixei o trabalho para cuidar da minha filha e também não quero que ela deixe o dela por causa de mim. Não quero que ela prejudique a sua vida por minha causa.



Cátia Barbosa
Cláudia Pereira

4 comentários:

  1. Awwww *.* Gostei mesmo muito da entrevista
    Tens muito jeito!

    Ps. Há passatempo no blogue :) Beijinho

    ResponderEliminar
  2. Se tiveres 15 anos, a entrevista não está má. Se fores mais velha, a entrevista está uma bosta!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Admito que esta não foi uma entrevista bem conseguida, embora quem usufrua do trabalho da Dona Fátima tenha ficado a saber mais sobre ela.
      Porém, o que importa não é errar é não desistir. Eu e a Cátia vamos esforçar-nos para de facto fazer melhor nos nossos próximos trabalhos.
      Obrigada pela sinceridade, embora sem dar a cara e com indelicadeza.

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Pin It button on image hover